707, 808 e 800 Números especiais e as suas vantagens

Sabe quem beneficia com a utilização destes números?

Actualmente os tarifários com ‘chamadas ilimitadas’, tanto no telefone fixo como no telemóvel, são uma solução que nos dá liberdade para efectuar chamadas à vontade. Pagamos pelo conjunto de serviços e não por cada chamada em si, o que nos permite em certa medida esquecer o controlo de custos. Ao mesmo tempo, também é cada vez mais comum a existência de números especiais que não estão abrangidos pelas ‘chamadas ilimitadas’. Aquilo que inicialmente apareceu como uma vantagem, no contexto actual apenas se pode classificar como penalizador.

No entanto, a presença destes números especiais tem vindo a expandir, o que sugere a existência de vantagens na sua adopção. As tarifas máximas aplicáveis são fixadas pela ANACOM, sendo esse o valor adoptado pela larga maioria destes números. Abaixo indicamos os respectivos valores com IVA incluído à taxa de 23%.

  • Números 800 – chamada grátis para o chamador
  • Números 808 – chamada com custos partilhados, em que o valor cobrado ao chamador é de 8,61 cêntimos no 1ºminuto e 3,69 cêntimos nos restantes minutos em horário normal (ou 1,23 cêntimos/minuto em horário económico)
  • Números 707 e 708 – chamada suportada totalmente pelo chamador ao valor de 12,3 cêntimos/min se ligar da rede fixa ou de 31,98 cêntimos/min se ligar da rede móvel

Com excepção dos números “800”, todos os restantes são penalizadores na perspectiva do chamador com ‘chamadas ilimitadas’. Então afinal onde estarão as ditas vantagens? Serão estas linhas meros serviços de valor acrescentado? Quem ganha com isto afinal? Resolvemos aprofundar um pouco mais esta questão.

Após alguma análise, ficamos com a ideia de que também não há vantagem financeira directa por parte dos titulares destes números, pelo menos se considerarmos as condições que os operadores anunciam para fornecer este tipo de serviços às empresas. Certamente que as grandes empresas terão outras condições, mas não parece razoável concluir que isto seja uma estratégia para lucrar com as chamadas recebidas. É necessário olhar a questão de outra perspectiva.

Do ponto de vista do marketing, disponibilizar um número “800” transmite uma imagem de abertura e disponibilidade, de uma empresa moderna e atenta aos seus clientes - no entanto, trata-se de uma "cortesia" bastante dispendiosa para a empresa. Já em relação a um número “707” passa-se o oposto, transmitindo uma imagem de desatenção para com o cliente, ao passo que tem um baixo custo financeiro para as empresas. Não é raro encontrar na mesma empresa uma conjugação dos dois tipos de contacto: o “800” para atendimento comercial a potenciais clientes, e o “707” para outros tipos de atendimento, como o apoio ao cliente ou o apoio técnico.

Do ponto de vista tecnológico, é possível apontar algumas vantagens claras. Para as empresas estes serviços vêm acompanhados de funcionalidades de atendimento automatizado, gestão da distribuição das chamadas, adaptabilidade da capacidade de atendimento, etc. Tudo isto pode obviamente ser conseguido num número normal, mas com maiores custos de aquisição e implementação. Para pequenos negócios isto é um factor importante, para os grandes certamente que não.

Sob as várias perspectivas adoptadas, não parece haver uma explicação lógica. As grandes empresas e instituições que adoptam o “707” como meio de contacto, para além de não lucrarem com isso, estão a prejudicar a sua imagem pública. O benefício aqui é claramente para os operadores que promovem a implementação destes serviços junto das empresas e efectivamente lucram ao facturar chamadas extra-plafond aos clientes particulares. Isto não explica, no entanto, o que leva as empresas a aderir a este tipo de meio de contacto.

Num olhar mais abrangente, podemos apontar uma hipótese mais plausível, de entre outras também possíveis, mas para a qual não nos foi possível obter dados estatísticos que a possam comprovar: enquanto consumidores, podemos reconhecer que o facto de termos que suportar o custo da chamada, é um incentivo à utilização de outras formas de contacto ou esclarecimento. Somos então da opinião de que a grande vantagem para uma empresa/instituição ao adoptar um contacto “707”, será a de permitir uma substancial redução do volume de chamadas recebidas, possibilitando assim reduzir a estrutura de custos inerente ao atendimento não comercial.

Estaremos enganados? Alguma coisa nos escapou? Tem outra perspectiva sobre o assunto? Como encara esta atitude por parte das empresas e instituições? Deixar a sua opinião é muito simples e seguramente contribuirá para um melhor entendimento desta questão.

Os analistas de pacotes-tvnetvoz

18-05-2015 22194 vizualizações
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